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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Amizade à prova d'água

Eles haviam largado da prova, era o último dia de aula e ela estava preoculpada, pois não havia feito uma prova muito boa. Ela estava mal e ele, seu melhor amigo, sabia reconhecer isso, sem mesmo ela precisar dizer. Chovia muito. Ela estava sentada e ele se aproximou, se olharam, sorriram e ele a deu um abraço apertado, o melhor de todos. O silêncio não parecia encomodá-los. Estava fazendo frio e ele tirou seu agasalho para aquecê-la. Ela gostava quando seu cheiro ficava na sua pele.
- O que foi? - ele já sabia.
- Nada - e ela sabia disso.
- Vai ficar tudo bem, você é mais forte do que imagina.
Na mesma hora os dois olharam para sua frente e em seguida, olharam-se entre vi. Ele se levantou e a fez um convite.
- Me concede essa dança?
- Sem música?
- O som da chuva será a nossa música apartir de agora.
- Vou me molhar todar... - ela realmente não ligava para isso, mas queria ver até onde ele iria insistir.
- Você sabe que é feia de todo jeito, não sabe?
- É, eu sei - aquele olhar a matava por dentro.
- Vamos - então ele a puxou
Lá estavam eles, duas crianças rodando na chuva, de farda e all star. Ele então se aproximou.
- Sabe aquela história sobre você ser feia?
- Sei.
- Você fica linda na chuva.
- Só na chuva? - ela deixou um sorriso escapar.
- Você sabe que não.
Um beijo inesperado e sincero aconteceu. Foi a certeza de que o amor deles, a verdadeira amizade enfrentaria qualquer situação, pois ele se tornou a prova d'água e eles sabiam que depois da lua, a chuva seria sua única aliada.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Chuva

É, eu realmente gosto dela. Gosto de me sentir limpa e a minha alma também. Não há sensação melhor, do que se sentir livre, do que poder sentir o gosto da chuva, olha para cima e abrir meus lábios. Sentir aquela doce água, enviada lá de cima, de certa forma. É o que me faz acreditar que perfeição existe. Para que guarda-chuvas. Queimem todos. Não tem coisa melhor do que sentir seu tênis todo molhado. Da última vez, eu parei, e tentei não pensar na reclamação, nem em tê-lo que lavar. Pensei só na sensação que estava sentindo. Me senti uma verdadeira criança, que não deve nada a ninguém, muito menos tem medo de viver. Ah, se aquelas poças de lama fossem limpas...Só um pouco mais limpas, onde pudesse até haver peixes por ali, gostaria tanto de dar-lhes um 'Oi'. Por um momento me vi andando pela rua, na chuva, em baixo de uma porcaria de sombrinha. Me vi e vi os que estavam ao meu redor. Só mais uma das cenas do meu filme. Eu estava com raiva. E me imaginei sem nada. Apenas com uma bota, para sentir a água entre meus dedos. E corri. Corri por cima, entre e ao redor da lama. Corri até confundir suor com gotas de chuva em mim. E depois disso, acordei. Mesmo assim, minha boca ainda estava molhada, ainda estava com o gosto de chuva, misturado com nuvens e liberdade...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Banho de chuva

Eu estava prestes a morrer. O que eu poderia fazer? O meu fim iria ser perfeito. Eu na minha casa, na minha cadeira de balanço, no meu quarto, com os meus amigos e familiares na sala chorando. Eu estava quentinha para uma idosa. Me sentia bem. Não havia mais dor. Mas estava tudo perfeito demais. Eu haveria algumas horas ainda para estragar tudo. Estava uma tarde tão linda. Uma chuva calma. Abundante, mas calma. E então tentei imaginar a última vez que tomara um banho de chuva. Não consegui. Qual seria a textura? O gosto? Seria então uma novidade para mim? Que horror! Não me perdoaria se não fosse embora deste mundo com um pedaço de tudo. Iria sentir muita falta. Eu acho. Me levantei da cadeira de balanço e fui lentamente para o jardim. Levantei a cabeça, abri a boca e então rodopiei e depois de ficar tonta, continuei rodopiando até cair. Meus filhos ficaram horrorizados quando me viram toda enxarcada no meio do jardim, deitada no chão. Todos correram para me pegar e levar para dentro. Me deram um banho quente e não paravam se quer um segundo de reclamar. Mesmo com a água quente, eu não estava mais tão confortável como antes. Meus dedos dos pés e das mãos estavam gelados. Me colocaram na minha cadeira de balanço novamente e me arrodearam. Eu então pude refletir sobre o sabor da chuva. Não se para todos, mas para mim, tinha um gosto estranho, uma mistura de água com capim, e eu senti um cheiro de terra maravilhoso que em toda a minha vida nunca sentira. Uma sensação que eu nunca mais iria esquecer. Então, fechei os meus olhos.